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tæt på Pôrto da Lama, Pernambuco (Brazil)

Chuva muita chuva . Hoje foi um dia de ativar o modo chuva. Pesar bem o meu ponto fraco FRIO e ser sensata. 

A noite passada, acampada de frente à praia de Maracaípe me proporcionou uma sensação maravilhosa de liberdade, típica de uma cicloviagem. Poder chegar a um lugar deste pedalando, olhar para os lados e escolher um bom ponto pra por a barraca pra dormir é algo aparentemente tão simples, mas tão rico! Foi o tempo exato de montar, ajeitar tudo dentro e despencar um pé dágua que durou a noite inteira... Muito vento forte que batia na paredes da barraca, balançando de leve e fazendo muito barulho. E chuva o tempo todo. Ter uma boa barraca, mas boa mesmo, é fundamental pra ouvir a barulheira toda e não se sentir ameaçada de sair voando. Eu havia ancorado a barraca na bicicleta! Percebi que os espeques não haviam vindo no pacote. O que não foi problema para montá-la, já que é uma barraca autoportante. O peso da bagagem nos alforges e outros"pacotes", super pesada dentro nas beiradas também manteve o fundo dela firme no lugar. 

A viagem em bicicleta é desapegada a frescuras, valores tradicionais. Mas a maior preciosidade da gente, nesta hora, unanimemente, é a bicicleta. Era a primeira vez que eu acampava selvagem com a bicicleta! Como mantê-la segura? Trouxe a bicicleta para a varanda da barraca que por ser compacta, não caberia a bicicleta inteira. Testei com a roda da frente embaixo da barraca para proteger o que estava preso no guidão, tão bem preso que não era possível retirar. Retirei a roda dianteira, ancorei a varanda com o "enforca-gato" no quadro, passei o cadeado como de costume, pus a roda solta trancando a passagem para dentro da barraca. Pronto! Bike segura. Susi segura. Lá dentro, ainda usei meus mosquetões no fechamento da barraca. Se a barraca voasse eu ia junto! Ahaha. Com a bike junto!

Acordar com chuva é apreensivo. Partir de bicicleta na chuva não é o problema. Mas desmontar acampamento debaixo de chuva e guardar a casa tralha molhada, sim.

Busquei abrigo numa casinha do restaurante, usada como depósito pelos funcionários. Levei toda a bagagem pra lá e, por último, a bicicleta. No restaurante, acabei de dobrar a barraca e guardei separados hastes (com o rolo de isolante e colchão que vão na garupeira) e parte interna da barraca seca, parte externa encharcada! Que iriam dentro do alforge.

Entrou a terceira configuração da bicicleta. Modo chuva. Mariane do restaurante me arrumou vários sacos de lixo pretos, resistentes e ensaquei tudo que estava mais exposto. Apesar de serem impermeáveis, entrava umidade na mochila pelo zíper. E minha pochete que estava fazendo a função da bolsa de guidão também acabava pegando umidade dentro.

Tudo pronto, parti. Decidindo, ainda, no pequeno trecho entre o trevo e de onde sai, se ia pelo asfalto, ou de Jangada para Serrambi!

Jangada.

Muito, mas muuuuuuuito vento. O jangadeiro disse nunca ter visto algo igual. Do outro lado, um areião pra chegar à rua de terra cheia de buracos encharcados e poças d'água imensas.

O barulho na roda ficou pior. Isso começou a me incomodar muito e comecei a procurar uma bicicletaria. Sábado eu teria alguma chance. Não, no domingo.

Entrei na cidade de Serrambi e me indicaram o Amaro. Enfim. Mexeu daqui, mexeu dali, não havia nada errado. Devia ser areia no disco, o que é muito comum. Retirei a cadeirinha da frente e descubro que está começando a quebrar a perninha. Desapeguei dos protetores da bike, me livrei de um volume grande que, embora não pesasse nada, era um volume a mais pra transportar. Se pudesse, desapegaria de outras coisinhas…

Amaro me informou que até Praia de Carneiros havia 18km. Tranquilo pra chegar. O problema era o muito vento com chuva que não dava trégua. Eu já estava com frio. Eu havia emprestado minha inseparável capa de chuva. E estava apenas com o corta vento e o poncho pra chuva que deixava meus braços de fora, molhando. Não estava legal, assim.

O frio realmente me fragiliza

1 kommentarer

  • Foto af Bikeando

    Bikeando 21-07-2019

    Desmaio de hipotermia. Era hora de ser sensata.


    Perguntei por perguntar se eu conseguiria um carreto. Dor no coração de cortar caminho. Mas o coração mandava. Talvez, não. Talvez, fosse a razão. Enfim. Dado o preço para Carneiros, preço para Maragogi, pouca diferença, decidi pular Carneiros. Eu vou voltar. E fazer tudinho sem tanto vento e frio.


    Não poderia haver companhia melhor! Marcos é da tribo da bike também! E conhece tudo na região. Foi um tour com direito a paradas por pontos curiosos, pontes e paradas pra apreciar as comidinhas de beira de estrada! Almocei milho assado! Dois! E cocadas coloridas. Branca morena e preta.


    Eu tinha conseguido uma reserva num hostel em Maragogi. Precisava de um banho quente, caminha quente, Sem ter de montar acampamento com chuva que não parava mais.


    Enfim. Soube depois que foi um tornado que passou em Porto de Galinhas. Isso explicava tanto vento. Pela distância, eu conseguiria chegar em Carneiros. Mas sofreria muito com o vento e frio. Estava atrasada no cronograma. Esta relação pressa x cicloviagem para mim não combina. Não é meu estilo viajar apressada. Mas FLEXIBILIDADE é algo fundamental que aprendi nos muitos anos na estrada. Por ter optado passar dois dias em Enseada dos Corais, parar em Maracaípe, ao invés de seguir para Carneiros, eu estava com os dias apertados com quilometragem alta. Com previsão de chuva pra semana até quarta, e vôo marcado para a madrugada de quinta, pesei, pesei e decidi. E estou certa de ter sido a melhor decisão.


    Hoje (the day after) amanheceu com sol e vento. O dia promete.


    Nada como um dia após o outro...

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